O importante é tentar

A pair of glasses and a pen on an open notebook next to a laptop

Eu escrevo.

Eu escrevo muito.

Às vezes eu acho que passei minha vida inteira na frente do computador.

Escrevendo.

Digitando.

Conversando com palavras escritas.

Símbolos.

Daí eu lembro de todos os momentos incríveis que vivenciei longe das telas,
lembro das experiências que senti, dos sorrisos que compartilhei, das conversas que tive com pessoas e de como eu esqueci de todos os aparelhos eletrônicos naqueles momentos.

Eu lembro de como eu não precisava de celular, câmera, nada para ter aqueles momentos guardados em mim.

Esses momentos ficaram só na minha memória.

E quer saber de uma coisa?

Talvez essa seja a melhor maneira de eternizar as coisas.

A gente sabe que a nossa memória é falha, que a gente inventa coisas, que a mente nos trai e nos distrai o tempo todo.

A gente sabe que a nossa percepção é diferente das outras pessoas, e muitas vezes a gente só quer ver o que a gente quer ver.

Nem sempre a gente vê as coisas como são.

E tudo bem.

Por que esse é o papel da memória: guardar a informação necessária para a gente se situar naquele ambiente. Naquele lugar.

Claro que deve ter outras funções que a memória exerce, mas talvez esse seja o principal.

A memória nos dá referências.

Então, é com base nas minhas memórias, no que eu aprendi durante a vida, nos hábitos desenvolvidos no meu cérebro, que eu escrevo.

Eu escrevo para tentar lembrar coisas do passado, para entender a minha própria visão da realidade.

Eu escrevo porque aprendi. E a memória me ajudou nesse aprendizado.

Eu escrevo para racionalizar melhor o que eu sinto, o que não tem tradução, o que não tem conceituação, o que não dá para encaixar nestes símbolos que você está lendo agora.

If I write in another language, can you understand me?

The thing is…

I write because I can.

Às vezes eu brigo comigo mesma, achando que escrever não é suficiente e que eu preciso fazer mais coisas da vida para me sentir útil e ser uma pessoa incrível.

Às vezes eu acho que não vou ter orgulho da vida que tive, quando chegar ao final dela.

Mas, quer saber de uma coisa?

Eu já sou uma pessoa incrível só por existir. E sim, claro que vou ter orgulho da vida que tive. Na verdade, eu tenho orgulho da vida que tenho hoje!

Por que toda essa vida, eu consegui viver do melhor jeito possível, que foi o jeito que deu para viver no momento.

Poderia ter sido melhor, se eu tivesse as ideias que tenho hoje? Talvez.

Certamente, teria sido diferente.

Mas quem eu era naquela época não é quem eu sou hoje e… Bom, não sei muito bem quem serei amanhã.

A verdade é que a gente muda o tempo todo e nem percebe.

E sabe porquê?

Por conta da memória, que está ali, ligada toda hora, te dando referências do que aconteceu com você e te lembrando de quem você se diz que é.

É trabalho da memória fazer isso com você todos os dias, em todos os momentos, inclusive quando você está dormindo.

Então, relaxe, não se culpe muito. Eu digo isso para mim: não se culpe muito, Jéssica.

Evite se culpar e ter pena de si mesma. Esses sentimentos só vão te dar mais medo e fortalecer suas crenças disfuncionais.

Abandone esses medos.

Abandone sem olhar para trás e sem dó.

Confie em você, guria.

Acredite, você consegue.

Olhando para trás, percebendo tudo o que fiz até aqui, mesmo não sendo lá grandes coisas, tenho uma sensação de que, tudo bem, fiz o que foi pude. Eu tentei. Algumas vezes eu consegui, outras nem tanto. Mas eu tentei. E isso foi o mais importante.

E que bom que essas coisas todas aconteceram comigo, pois agora eu posso olhar para elas com mais maturidade e clareza! Eu posso perceber os erros que cometi e aprender com eles.

Uhuul! Eu consegui sair da bolha de sofrimento e enxergar meus próprios defeitos!

Isso significa que posso mudá-los, transformá-los, melhorar a mim mesma! Cuidando de mim, eu me sinto melhor comigo e perco menos tempo de vida com outras pessoas que não me fazem bem.

Essa é a maior lição.

Agora é a hora de fazer coisas diferentes.

Eu quero ter novos desafios pela frente.

Talvez dê certo, talvez não.

Quem sabe para onde isso vai me levar.

O importante é tentar.

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