Nunca me conheci muito bem

Esses dias andei pensando e percebi que, durante toda a minha vida, eu nunca soube muito bem o que gostaria de ser.

As pessoas me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, e eu bem, não sabia muito.

Sabia que eu gostava de ler.

De escrever.

De inventar histórias.

O tempo passou e as coisas foram simplesmente acontecendo.

Eu fui abraçando as oportunidades que surgiam na minha frente, do jeito que dava.

Fui mostrando que era capaz de entregar o trabalho, de fazer bem feito.

Mostrei meu esforço e dei meu sangue por muitas coisas. E isso não só no trabalho, nos estudos, mas também nos relacionamentos.

Eu sempre me esforcei muito.

Agora que um monte de coisas já aconteceu na minha vida, me sinto num marasmo, perdida num lugar que nem sei como cheguei e nem sei pra onde ir.

Só sei que aqui estou.

Olhando pra trás, percebo que boa parte das coisas que eu fiz, eu não pensei muito sobre, eu apenas fui fazendo.

Apenas fui abraçando as oportunidades que se apresentavam na minha vida, aleatoriamente, mostrando o que era capaz de fazer naquele momento.

Olhando pra trás agora, eu me sinto como se nunca tivesse tido uma opinião muito forte, bem formulada, ou um destino certo a se chegar, ou algo concreto a se fazer.

Eu só nasci. Cresci. Estudei, li muito, li pra caramba, escrevi um monte – e ainda escrevo.

Parece que toda a minha vida foi simplesmente guiada pelas coisas que iam me acontecendo. Eu via uma oportunidade naquilo e abraçava aquela situação com o máximo de força que podia, pra mostrar que eu era capaz.

Para mostrar a mim mesma que eu era boa o suficiente, que eu conseguia fazer aquilo.

Eu via chance de crescer como profissional, de ganhar dinheiro, de trabalhar, ter currículos e diplomas que me sustentassem, que me dessem segurança e estabilidade.

Mas, no fundo, tudo o que eu procurava era afirmações do tipo: “Você é incrível!” ou “Parabéns, excelente trabalho!”.

Eu recebi alguns elogios desses ao longo do percurso. De fato. Então, percebo que tudo o que eu buscava nada mais era que reconhecimento.

Eu via naquelas oportunidades uma chance de me afirmar, de mostrar pra mim mesma quem eu era. De comprovar pra mim mesma que eu tinha valor.

Olhando pra trás, hoje, já não sei mais.

Footsteps of a woman walking on a sand beach

 

A impressão que sinto é que nunca me conheci muito bem, sempre fui fazendo as coisas do jeito que dava, na medida que elas apareciam. Parece que eu nunca tomei as rédeas de nada, que nunca tomei uma decisão baseada apenas e unicamente em mim.

Eu sempre estava fazendo as coisas com algum objetivo por trás, fosse ele profissional ou financeiro. Quase nunca, esse propósito era pessoal.

Olhando pra trás agora, parece que eu nunca tive uma personalidade muito coerente ou muito forte. Eu sempre fui para onde todos estavam, seguia o fluxo do que estava ao meu redor, fazia o que todos esperavam que fosse feito.

O que vejo agora é como se eu nunca fosse eu, como se eu fosse sempre uma pessoa que estava ali se adaptando às situações, tentando me enturmar, tentando mostrar que tenho valor, tentando ser do jeito que me diziam pra ser – pois isso ia me dar algum retorno ou reconhecimento.

Eu nunca descobri quem sou eu e nunca fui eu mesma.

Por isso eu sonho tanto em viajar o mundo, fazer mochilão, visitar outros países de língua estrangeira. Como se a estrada fosse capaz de me abrir caminhos para essa descoberta pessoal que eu tanto almejo.

Há uma necessidade dentro de mim, de me descobrir, de ver realmente quem sou. Deixar que essa bolha que me circunda seja simplesmente estourada, como uma bolha de sabão, se desintegrando no ar.

Eu quero me limpar das referências que tenho assistido e lido por demais, me limpar dessas classificações que me coloquei pra mim mesma. Talvez eu até descubra novas formas de me expressar, me entender.

Eu quero fazer coisas diferentes, conhecer pessoas diferentes e ouvir histórias incríveis. Eu quero ficar longe de redes sociais por um tempo.

Por que eu não substituo o “eu quero” por “eu faço”?

O que está me impedindo?

Será mesmo que eu preciso viajar o mundo para passar por essa experiência? Ou talvez ela já esteja acontecendo e eu sequer consigo enxergar?

Talvez sim, talvez não.

Tudo pode acontecer. Eu só quero estar aberta às possibilidades que a vida pode me trazer.

Seja aqui ou em qualquer outro lugar.

Prestar mais atenção em mim, na minha verdadeira essência, sem me prender a amarras e medos disfuncionais.

Reencontrar-me.

É o que preciso. É o que quero. É o que faço.

A vida vai se encarregando do resto.

Paz!

mickey-o-neil-36549-unsplash

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