silêncio

OLHA SÓ que silêncio maravilhoso aqui – eu só escuto o barulho do vento lá fora e o som das minhas teclas no teclado com a ponta dos meus dedos e machucando-os com as minhas unhas – unhas não pintadas, porque nunca as pinto, não tenho paciência e nem cuidados para ficar colocando esmaltes nelas todos os dias, ou pelo menos 3 vezes na semana – olha esse silêncio noturno maravilhoso, todas as pessoas do mundo dormindo ou adormecendo, ou assistindo a algum programa na TV para cair no sono, ou bêbadas de sono – ou bêbadas apenas, dormindo por efeito etílico que o álcool provoca. Olha só essa noite maravilhosa – porque não pode ser assim todos os dias?

Porque não ser assim – continuar assim nesse silêncio maravilhoso todas as noites da semana, do mês, do ano e dormir o resto da vida em paz, na chuva, enquanto começa a chover lá fora aos pouquinhos – as nuvens se juntam e o vento frio entra pela janela, sinal que uma chuva se aproxima – ou talvez seja só eu querendo que a noite fique fria e deliciosamente amena, como está o clima nesta noite silenciosa. Um carro passa na rua, devagar, sonolento, assim como todas as pessoas desta rua, deste bairro, desta cidade estão dormindo – ou indo dormir, ou bêbadas para dormir – assim como as pessoas da minha casa, que estão me proporcionando este silêncio maravilhoso e tão agradável e me deixando escrever isso em paz, além de estudar, além de pensar em tudo que há de bom na vida e deixar minha mente fluir livremente e viajar no tempo só com esse silêncio maravilhoso.

Sinto que posso pensar em qualquer coisa, sobre qualquer coisa aqui nesse silêncio, porque não há barulho nem música para me distrair, então eu penso no que aconteceu essa semana, assim como penso nas causas e consequencias dos meus atos e do atos dos outros – tenho essa mania de querer mudar O Mundo e achar que estou indo pelo caminho certo – quando quase sempre me decepciono – as pessoas são estranhas e surpreendentes – quando você menos espera de repente elas te dão um tapa na cara – ou te fazem rir do nada – ou apenas te dizem uma coisa que você não esperava – afinal, o que você espera dos outros? o que esperar quando você dá um conselho a alguém? que ele te agradeça? – não sei, me sinto mal até dando conselhos, acho que estou tentando resolver a vida daquela pessoa por mim, quando não estou, estou apenas tentando entender a situação e o motivo de ela estar agindo desse jeito – mas algumas coisas na vida não têm explicação – e eu só consigo raciocinar fluidamente nesse silêncio maravilhoso, proporcionado poucas vezes pelas pessoas da minha casa, da minha rua, do meu bairro – obrigada a eles por estarem dormindo a essa hora e me darem esse maravilhoso som de nada, som do silêncio (é diferente do som do vazio). Não é oco, nem vácuo, nem sufocante, é apenas a gostosa falta de som, a companhia de você mesmo e seu pensamento fugindo com facilidade, e você deixando tudo acontecer – dentro do som do silêncio, dentro dessa deliciosa sensação de estar apenas quieto, sem fazer barulho, só e somente.

SILÊNCIO.

*Texto escrito em 06/2011

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